Lua em Oriente
A ponte da Lua
Tenho uma ponte na Lua,
que num instante me leva
à minha estrela amarela,
deixando-me ali com ela.
Tenho uma ponte na Lua,
nim de madeira nim ferro.
A minha ponte da Lua
é dum amor verdadeiro.
Da-me um bocado na vida,
remexe-me as entranhas.
É a minha ponte que junta
o paraíso coa Terra.
A minha ponte da Lua
abre-se coa Lua nova.
Enche de flores meu peito
e acenam-lhe as bolboretas.
E as bolboretas acudem
a renovar os amores.
Fam-se sentir importantes,
ao presumir das suas cores.
Tenho uma ponte na Lua,
que é coma minha meninha,
doce coma umha pavia,
singela como pombinha.
Tenho uma ponte na Lua,
onde ao ir colhidos da man,
entramos no paraíso
e acampamos mesmo no Sar.
Aperta-nos Rosalia
e amamo-nos sem pesares,
bicamo-nos com delírio,
fugindo das soidades.
Tenho uma ponte na Lua,
dende ali acaroo ò Mar,
dende ali sinto-me cheio
de amor e felicidade.
A vertigem do coraçom,
à minha ánima incita
a cair na ponte da Lua,
para juntar-se coa tua.
E as bolboretas do peito
fam-me voar de súpeto,
cara ali, à nossa ponte,
cara a ti, a minha amante.
E deitados na ponte os dous,
atopados no Levante,
amencemos no paraíso
e sonhamos co Ocidente.
A Lua tem uma ponte,
que dia e noite ela brilha,
ali caminham amores,
ali há uma maravilha.
🌟
Moradelha editora
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