Morte primeira
Dorme o Mundo,
na sua primeira morte,
num siléncio,
de tempo indefinido.
Espera um mensageiro
que lhe bote a auga fervente
ou que de súpeto o despertem
raios de Sol ardente.
Anda de viagem o Mundo
por um tempo indefinido.
Sem parar de dar voltas,
ainda que morto e durmido.
A sua primeira vida,
numha letargia quedou;
o seu primeiro inverno morto,
pode que tamém primavera.
As suas entranhas diram
quando há de cuspir a lava,
que o retorne a outra vida
e o renasça com força.
Seu ventre rugirá de novo,
qual limpas e brihantes folhas,
de carvalho das Maravilhas,
anunciando a sua nova vida.
Latente espírito de Samaim,
nos sete coraçons vivindo,
que habitaram as sete vidas,
no seu sonho de amores mil.
O gatinho Mundo sonha,
por um tempo indefinido,
entranto lhe nascem as ás,
nas suas costas ardendo.
🌟
Moradelha editora

