Lua de Santiago
Farta a Lua de fazer
tantas ondinhas no mar,
de pena quere morrer,
farta de nel se mirar.
Ela quere rematar,
farta do seu reflexo;
nel molhar e nel banhar,
parar já seu bafejo.
Quere morrer crescente,
quere morrer bicando
a tua alma contente,
ir canda ti sonhando.
Quere morrer bicando
a tua alma e a minha,
tamém acaroando
espuma da beirinha,
onde deita-se espida
aquela rapacinha,
que nunca se fartava
de mirar para ela.
Sabendo que a ela,
que a estiveram mirando,
muito lhe coronava,
ao estar alumeando.
Ai o meu Mar, meus mares !,
a ti quem te alumeará
agora polas noites ?,
quem contente cantará ?.
E à minha meninha
quem lhe fazerá as beiras ?,
quem lhe tirará escuma
deitadinha a sua beira ?.
Hoje morreu a Lua,
mais a tua alma crescente,
fazerá que esta noite
renasça em Compostela.
🌟
Moradelha editora