26 xullo 2020

Conto 62 : Lua de Santiago






Lua de Santiago


Farta a Lua de fazer
tantas ondinhas no mar,
de pena quere morrer,
farta de nel se mirar.

Ela quere rematar,
farta do seu reflexo;
nel molhar e nel banhar,
parar já seu bafejo.

Quere morrer crescente,
quere morrer bicando
a tua alma contente,
ir canda ti sonhando.

Quere morrer bicando
a tua alma e a minha,
tamém acaroando
espuma da beirinha,

onde deita-se espida
aquela rapacinha,
que nunca se fartava 
de mirar para ela.

Sabendo que a ela,
que a estiveram mirando,
muito lhe coronava,
ao estar alumeando.

Ai o meu Mar, meus mares !, 
a ti quem te alumeará 
agora polas noites ?,
quem contente cantará ?.

E à minha meninha
quem lhe fazerá as beiras ?,
quem lhe tirará escuma 
deitadinha a sua beira ?.

Hoje morreu a Lua,
mais a tua alma crescente,
fazerá que esta noite
renasça em Compostela.

🌟



Moradelha editora




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