Lua em flor
véspera das Letras
1
Pola véspera das Letras
chorará contente a Lua.
Com carinha de vergonça
há celebrar esse dia.
2
Pois jeitosa é a nossa língua,
tam pequerrecha ela e velha,
muito vergonçosa e bela,
enxebre coma ningumha.
3
Já tolea a primavera
e hoje a Terra pentea
a prácida Lua cheia
com raios de Sol dourados.
4
Uma meninha eclipsada
co agarimo do Mundo
e polo quente do seu Sol,
na infinitude ascondida.
5
Uma minúscula rainha
na multitude de astros,
hoje polo Sol coroada
e pola Terra apertada.
6
E daram-lhe a sua bendiçom
uma cheia de arpas celestiais,
que tocaram nos coraçons
dos amantes apenados.
7
Umas letrinhas dum berce
acaroaram a sua face
enchendo de amor e flores
os seus regos, os seus mares.
8
Vinte e quatro horas no dia
o Mundo baila para vós.
Seu cobertor é teu manto
o seu som a tua alegria.
9
Uns bicos dos verdes prados
nas tuas fondas cráteras,
calores nos teus desertos
coas suas ferventes entranhas.
10
Da tua resplandor tam branca,
da tua doce palideza,
cheinha de amor i espida
renasce a vida sangrenta.
11
E fai-se noite na Lua
coas sombras da nossa Terra.
Fai-se-lhe noite i é dia
nascendo um jardim de flores.
12
Coa doce aperta do Mundo,
tapando-a co seu abrigo
ate que o seu ardente Sol
bique a ela, namorado.
13
Dará-lhe de luz bocado
à mazán no seu umbigo
i encherá-se o ar de estrofes
que tam só os anjos entendem.
14
Sanarám os ventres todos
dos que esteam afligidos,
sentiram-se toda a noite
os cantares nas adegas.
15
Faram milagres as meigas,
de geonlhos nos altares
parindo velhas poesias,
entre cantos de paxaros.
16
Contando estrelas fugazes,
entranto cantem os grilos,
na noite de pleno Luar,
sentado no meu corredor,
17
estarei lendo Cantares
e olhando ao firmamento,
buscarei-te entre os pulsares,
polo nosso ceo infinito.
🌟
Dezasete de Maio de 2022
Letras galegas
Moradelha editora