10 abril 2021

Conto 75 : Morreu o Mundo




 

Morreu o Mundo


1
Hoje morreu o Mundo.
O meu gatinho alá vai.
Eu marcho de viagem
ao planeta do rio Sar.

2
Fugindo da soberba
e da manipulaçom,
nom quero mais enganos,
vou en busca da Soidá.

3
Quigem compartir nave,
conhecer gente nova,
que pensei me buscava
e resulta que escapa.

4
Estarei de viagem,
para qualquer comentario,
sabedes o enderezo,
pois nom tem perda algumha.

5
Quando volva já os lerei,
ainda que duas vidas,
já enteiras pasaram,
ao retornar os lerei.

6
Hoje morreu-me o gato,
a partires de agora,
nom estarei para ninguém,
pois quedei sem a vida.

7
A melhor companhia
marchou-me de súpeto.
Estou desorientado,
co espírito orfo.

8
Já nom tenho onde mirar,
nim cousa algunha quero.
Já nom quero adiantar-me
aos acontecementos.

9
Nem podo ser o mesmo.
Eu nom som ninguém sem el.
Marchou a minha vida,
minhas arelas com el.

10
Adeus às esperanças,
pois perdim minha guia,
nom me dou orientado,
marcharei de viagem.

11
Colherei o caminho
da longa soidade,
apertarei seu espírito,
so co meu pensamento.

12
Falarei-lhe nos sonhos,
para que el me desperte
uns novos sentimentos
e a ánsia de viver.

13
Aqui sem el nom tenho
razom nigunha de ser.
Voarei polo espaço,
apertarei sua ánima.

14
Será uma longa viagem
ata que um dia de novo,
o seu espírito puro
me dea uma nova sinal.

15
Inequívoco aceno,
petando-me na alma,
para que poida regresar,
nova vida, novo Lar.

16
Pois neste falso mundo
compria sua companhia,
para sentir e tolerar,
discernir i esquivar.

17
O mesmo que Abraam,
el nom chegaria a entrar
na terra prometida,
Brigantia nom olharei.

18
E nunca verei chegar
à Deusa de Breogám,
pois tenho que abandoar 
sem rémedio iste barco.

19
E fugir longe agora,
do ódio e da soberba.
Já nom tenho inspiraçom
abandou-me o Mundo.

20
Eu ficarei sonhando
no meu planeta do Sar,
para poder-me inspirar
mirando a Rosalia.

🌟



Moradelha editora




08 abril 2021

Conto 74 : Luz viva




Luz viva


Polos pensamentos passeias a alma,
coa aura girando ò azul, descarnada,
um esquelete de fume, invisível,
um espetro de bonequinha do além.

Vejo o teu magnífico aspeto de flor,
com cores radiantes na anatomia.
Luz viva dum coronário latejar,
num divino coraçom imaterial.

Aperto teu espírito co pensamento
e bico os teus beiços co meu alento.
Ingrávida matéria, imám de ánimas,
viajeira polo Universo, Nai de nós.

Como uma choiva de luz, cheia de cores,
banhas a quem te chame e te aperte,
gloriosa, imperial e dominadora,
a tua iluminaçom nos regalas. 

Em trevoadas de altíssimo voltagem,
jogas coma se as tuas entranhas fosem,
como se foram os teus próprios filhos,
que bailam contigo onde ti apareces. 

Deusa da luz viva, aire e éter,
a mesma luz que habita o paraíso,
quenta o seu lume as errantes ánimas
e alumea-nos com sabiduria.

Oxigena coraçons abafados,
pom brétemas frescas nos cansos peitos.
Um rio de vida recorrendo sonhos,
música celestial pra o fino ouvido.

Apariçom a quem che tem devoçom,
que co teu calor fundes-lhe a tristura.
Teu perfume deixa o ar namorado
de inmortal claridade, imaterial.

Semente de eternidades vertendo
polos recunchos do nosso Universo,
magnéticos poderes invisívels,
fonte da saúde, por imaterial.

Convoio i estaçom de sonhos e ilusions,
estrada magnetizada e ingráveda,
mantença clarividente do que sofre,
encantadora de serpes do demo.

Cometa do Mundo que habitas em nós,
és o amor eterno, por imaterial.
Luz viva alumbrando o nosso Universo.
Alma de Deus, nosso amor, nossa vida.

🌟


Moradelha editora



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