12 outubro 2021

Conto 77 : Dorme-vela

 



Dorme-vela


Nom vaia ser o demo,
que namentres que durmo,
apareça a ladroa,
que me rouba os sonhos.

E que encontre-me espido,
indefenso e parmado
e sem força nim ánsia
de enfrontar-me com ela.

No seja o demo,
dipois de toda a vida,
gardando o tesouro herdado,
que m'o roubem durmindo.

Cum suspiro perde-lo,
cum feitiço num sonho,
cum bico envelenado,
cuma aperta de Judas.

🌟



Moradelha editora




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