Irlanda
Vento do nordés
1
Vem o vento soprando polo norte;
esse vento tam frio, tam boreal;
soprando polo polo norte, forte,
que vem enchendo de coitelos o ar.
2
Arrastra núvens de espinhos de rosas
e voa no ceo o seco tojo arnal.
Vem um vento zoando coma um vendaval
de pingentes e afiadas folhas mortas.
3
Frio e pelando, a guerra declarando.
Disposto a congelar todo o que colha;
a deixar-nos arripiados os corpos.
Vento tolo pola pel à gardunha.
4
Hei-me proteger e pór a coraça,
coas primeiras fúrias vidas do ceo.
Em quanto empecem os eidos a fungar,
terei que pór a resgardo meu peito.
5
O vento virá cravando coitelos,
aparecerá bem disposto a matar.
Há na terra um forte vento asesino,
no ceo cheia de cores de grandeza.
6
Entom eu no meu Pai refugiarei-me;
os pechos e as cancelas reforzando,
as portas e fiestras irei pechando;
terei tino de acomodar ò gando.
7
Nom estarei coa cara descoberta,
nim poderá andar a minha alma espida.
Se me colhe o nordés, estou perdido,
pois deslembrado e parvo ficaria.
8
Nom poderia entom fazer apertas.
Seria um ser inútil, já pra sempre.
Cumha Lua nova a história deu a ser,
verei as estrelas ao quente do Lar.
9
I eche que tam só ao demo se lhe ocorre
fazer hoje a sua derradeira viagem.
Virá guiado polo vento nordés,
quando mais bravo e adoecido brue.
10
Manhá verei a nova saída do Sol,
passado guichará-me um olho a Lua.
Hoje afoga o demo no fondo do Mar,
levado polo vento mais gelado.
11
Aos meus eidos nunca mais há de voltar
e nom estranharei as suas tentacions.
Porei fim as quarenta quarentenas
que é possível, ou nom, que em vao nom forom.
12
O meu Mar ao demo tem que traga-lo.
Há de fenecer bem frio e salgado.
Bo caralho vai levar ò atopa-lo;
morto no fondo do mar, afogado.
🌟
Moradelha editora
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