13 abril 2023

Conto 86 : As Remeladas

 


As Remeladas


Otilia rilhava uma mazán,
sentadinha num valado
dos campos das Remeladas,
entanto pacia o gando.

Naqueles tam verdes prados,
descansava mirando ao ceo,
com música dos regatos
e o canto dos paxaros.

Entre Otilia e Angelina
encherom um carro de erva,
no fondo das Remeladas,
namentres o gando pacia.

Dipois de rilhar sua mazán,
calzou Otilia a fouce na man
e segou um campinho de erva,
mentres paciam as vacas.

Angelina calcou-na no carro
e atou-na cum bo sedenho,
nom fora ò subir a costa,
perder-se parte da carga.

Quanto presta uma merenda
no verde das Remeladas.
Como corona ir a ela,
quando é tempo de rabaças.

Aqueles campinhos frescos,
polas tardinhas do verán,
esses campinhos de conto,
por onde pasear-se co can.

Esses caminhos tam verdes
à sombra das carvalheiras,
sonhando com mil amores,
e pensando sempre no bem.

Ao seram às Remeladas
corona ir segar erva,
sentir o seu arrecendo,
entanto que pace o gando.




Moradelha editora




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