As Remeladas
Otilia rilhava uma mazán,
sentadinha num valado
dos campos das Remeladas,
entanto pacia o gando.
Naqueles tam verdes prados,
descansava mirando ao ceo,
com música dos regatos
e o canto dos paxaros.
Entre Otilia e Angelina
encherom um carro de erva,
no fondo das Remeladas,
namentres o gando pacia.
Dipois de rilhar sua mazán,
calzou Otilia a fouce na man
e segou um campinho de erva,
mentres paciam as vacas.
Angelina calcou-na no carro
e atou-na cum bo sedenho,
nom fora ò subir a costa,
perder-se parte da carga.
Quanto presta uma merenda
no verde das Remeladas.
Como corona ir a ela,
quando é tempo de rabaças.
Aqueles campinhos frescos,
polas tardinhas do verán,
esses campinhos de conto,
por onde pasear-se co can.
Esses caminhos tam verdes
à sombra das carvalheiras,
sonhando com mil amores,
e pensando sempre no bem.
Ao seram às Remeladas
corona ir segar erva,
sentir o seu arrecendo,
entanto que pace o gando.
☆
Moradelha editora

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