26 marzo 2015

Conto 37 : O can da vindima



O can da vindima
Isse can é duma cadela


Daquelas, polo tempo da vindima,
era obrigado que os cás levaram posta uma fucinheira.
Aos cás cobizávam-lhe as uvas maduras
e havia que tapar-lhes o bico pra que nom derramaram a colheita.

Seica um dia Orentino tivo que chamar à garda civil,
por causa do escachifo que atopou na vinha da Presoria.
Deu recado polo Anpián de Cartelhe,
para que vinheram do Picouto, en Ramirás.

Aparecerom ao dia siguinte dous gardas civis
a cavalo polas Airas, e chamarom aos vecinhos.

- Haver, de quem é isse can que denunciou Orentino ?,
preguntou um dos gardas.
 
    - Sabe-o Eliseu Chimpacarros, dixo Antonio Carrizo.

- Ide en pesca del entom, onde para ?

    - Deve andar na casa, dixo Modesto da tia Rosa, vou en busca del.

Modesto marchou cara o Fondo Lugar
e atopou a Eliseu na casa, remexendo no curral.

- Oes, tés que falar coa garda civil dum asunto dos cás,
que seica comem as uvas, agardan por ti nas Airas.

Eliseu e mais Modesto atravessarom o Cruceiro
e subirom cara as Airas.
Ò chegar ò bar de Otilia, presentou-se aos gardas: 

- Bós dias, som Eliseu, pra que se me chama, si pode-se sabere ?.

    - Bem, dim eiquí que vostede sabe de quem é o can
      que lhe chimpou as uvas a Orentino.

- Home craro que che sei :

- Isse can é duma cadela !.


🌟

A Eliseu Chimpacarros (in memoriam) 



Moradelha editora






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