A Ponte romana
Deitado eu no céspede
da ribeira do Minho,
baixo da Ponte Velha,
apareceu, cantando,
a Deusa Brigid.
Cantarujava
Moldau de Smetana,
recostadinha contra
um penedo
da Ponte romana.
Entom a Nai do Mundo
colheu-me no colo e
falava-me paseninho,
no ninho da orelha :
Escuita o siléncio, neno.
E namentres Brigid
alongava as suas notas,
a Nai repetia :
respeita os siléncios,
durme, meu meninho.
Ao quedar durmido,
enrolarom-me numha
pele de laranja,
feita em espiras e
os bagos nas mans.
Deitarom-me entom
num cocho de pétalas
de hortensias azuis.
A Nai do Mundo,
a Mina e Brigid,
tres parelhas de mans
igualinhas e uma soa face,
bicavam em mim,
flores de jasmim.
Pousarom-me na auga
e aquela florcinha,
meiga de safrám,
ía flutuando em siléncio,
caminho de Vide.
Chegou a Barral,
e apareceu
ao pé de Sam Paio,
junto à Ermida
da Santa Maria,
de Castrelo de Minho.
Ata que uma mocinha,
que ponhia escola
alá em Astariz,
viu-na em Ventosela,
e colheu-na da auga,
a carom do nariz.
Quedou namorada
daquela florcinha,
que ainda terá-a,
moi bem gardadinha,
entre as Folhas Novas
de Rosalia.
Rio do Ouro,
meu rio Minho,
O meu neno caladinho,
meu rio do siléncio.
Pai do meu meninho,
falando-me sempre,
moi devagarcinho.
🌟
Moradelha editora

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